terça-feira, 15 de dezembro de 2009

IBGE mostra aumento de acesso à web no Brasil, mas desigualdade ameaça inclusão

Reuters
Folha Online

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u665128.shtml

O número de usuários de internet cresceu 75,3% no Brasil entre 2005 e 2008, e boa parte dos novos incluídos na rede pertencia à baixa renda, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira. A desigualdade social e educacional, no entanto, ainda prejudica a inclusão digital no país.

Mais da metade dos brasileiros tem celular
40% dos estudantes não têm acesso à internet
Acesso à web aumenta 75,3% entre 2005 e 2008

Em 2008, 56,4 milhões de brasileiros com dez anos ou mais acessavam a internet (34,8%), contra 31,9 milhões em 2005. O aumento no acesso à internet ocorreu tanto entre os homens --de 21,9% em 2005 para 35,8% em 2008-- como entre as mulheres --de 20,1% para 33,9%. Os jovens são a maioria dos usuários --o maior percentual foi registrado na faixa etária entre os 15 e os 17 anos (62,9%).

Enquanto isso, o ranking da Internet World Statis coloca o Brasil atrás de países da América do Sul como Argentina (48,9 por cento), Chile (50,4), Uruguai (38,3) e Colômbia (45,3). "Os avanços de 2005 a 2008 foram fantásticos, mas ainda vivemos uma apagão digital que está ligado aos níveis de educação e distribuição de renda", afirmou o coordenador de um suplemento da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

Na Europa, o nível de acesso atinge 52%; na Oceania, 60,4%; e na América do Norte, 74,2% da população. A média da América Latina ficou em 30,5%, contra 19,4% na Ásia.

Do total de novos usuários no Brasil, 17 milhões ganham até dois salários mínimos per capita ao mês. "O acesso à internet está mais democratizado no Brasil", disse o coordenador da pesquisa, Cimar Pereira Azeredo.

De acordo com o IBGE, 40% dos estudantes brasileiros não tinham acesso à internet no ano passado. Segundo pesquisadores do instituto, o dado impressiona porque a rede é usada com foco no estudo por 90% dos estudantes.

Acessos

A maioria dos usuários (83,2%) acessou a internet em 2008 para se comunicar com outras pessoas. Os dados apontam uma mudança no uso da web, que, em 2005 era acessada, principalmente, para fins educacionais e de aprendizado.

De acordo com o instituto, também aumentaram os acessos para atividades de lazer. Além disso, 48,6% das pessoas acessaram a internet para ler jornais e revistas.

Segundo o IBGE, no entanto, o país ainda tinha no ano passado 104 milhões de pessoas que não acessavam a internet, mas o contingente diminuiu em relação a 2005, quando eram 120,3 milhões de brasileiros sem acesso à web. Entre os motivos apresentados estão: não achavam necessário ou não queriam (32,8%), não sabiam utilizar a web (31,6%) e não tinham acesso a computador (30,0%).

Os maiores percentuais de usuários de internet estão na região Sudeste (40,3%), Centro-Oeste (39,4%) e Sul (38,7%), já nas regiões Norte (27,5%) e Nordeste (25,1%) têm os menores percentuais. A pesquisa aponta ainda que no Norte e Nordeste, os centros públicos de acesso pago lideraram a navegação entre pessoas com acesso à internet em diferentes lugares. No Norte a porcentagem chegou a 56,3%, enquanto no Nordeste chegou a 52,9%. Nessas regiões, o uso da web residencial ficou em 34,1% e 40%, respectivamente.

LAN houses

Nas regiões consideradas mais pobres do país, o acesso ganhou velocidade, de acordo com a pesquisa. Na região Norte, o total de usuários passou de 12% para 27,5% da população com dez anos ou mais de estudo. No Nordeste, passou de 11,9% para 25,1%.

"Vários fatores explicam o maior acesso entre os mais pobres. O acesso está mais barato e as LAN houses estão mais espalhadas pelo país. Além disso, a renda do brasileiro e a escolaridade aumentaram em reação a 2005", disse o coordenador do IBGE.

A pesquisa mostra que as residências superam locais de trabalho no acesso à web no Brasil. Em 2008, 51,7% dos internautas do país acessaram a rede mundial de computadores de casa e 35,2% a partir de LAN houses, contra 49,9% e 21,9% em 2005, respectivamente. Nas regiões mais ricas do Brasil, os percentuais de acesso são bem mais elevados. como na região Sudeste, em que o índice foi de 40,3%.

"O Brasil tem uma das piores distribuições de renda no mundo e não é novidade que essa diferença social tenha reflexo também no acesso à internet. A desigualdade de renda é um empecilho para um maior acesso", disse Azeredo.

Rendimento

O levantamento revelou que as pessoas que apresentaram os mais altos rendimentos médios mensais per capita de R$ 1.900 foram as que acessaram à internet para fazer compras e pagar contas. Já as pessoas de renda baixa (cerca de R$ 1.000) entram para se comunicar com outros internautas e para lazer.

Ainda de acordo com a pesquisa, o rendimento per capta das pessoas que acessaram a web no trabalho foi de R$ 1.523, enquanto o dos internautas domésticos ficou em R$ 1.336 (os mais elevados). Os menores rendimentos per capta foram os dos usuários de centros públicos de acesso gratuito (R$ 825) e de LAN houses (R$ 536).

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