terça-feira, 9 de março de 2010

Site acusa dono do Facebook de ler e-mails privados e invadir concorrentes

da Folha Online

Depois de dezenas de imbróglios relativos à privacidade, novamente o site de relacionamentos Facebook se vê em outra polêmica relativa aos métodos operacionais.

Nesta vez, contudo, as acusações do site de tecnologia Silicon Alley Insider, publicadas na sexta-feira (5), são mais graves: em uma extensa reportagem investigativa, o site aponta que, em pelo menos uma ocasião no ano de 2004, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, teria invadido contas de membros do Facebook a fim de ler suas mensagens privadas e e-mails, algo que, "na melhor das hipóteses, [é] um grave desvio de informações confidenciais".

Kimberly White -17.out.07/Reuters
Mark Zuckerberg, fundador do site de relacionamentos Facebook, é acusado de ler e-mails privados e invadir concorrentes
Mark Zuckerberg, fundador do site de relacionamentos Facebook, é acusado de ler e-mails privados e invadir sistemas concorrentes

As investigações do Sillicon Alley Insider apontam ainda que Mark invadiu sistemas de uma empresa concorrente para roubar informações que melhorassem o Facebook.

Outra menção feita na reportagem é ao brasileiro Eduardo Saverin, que iniciou o site como sócio --pagando os servidores do site-- e "confidente" de Zuckerberg. O site reproduz uma mensagem em que Zuckerberg, momentos antes de lançar o Facebook, recebe um convite para desenvolver um trabalho para uma rede chamada HarvardConnection.

Segundo o site, Zuckerberg teria retardado o processo e iniciado o Facebook --até hoje, Zuckerberg tem um processo de plágio aberto pelos donos da HarvardConnection, que fizeram a acusação apenas seis dias após o lançamento daquela que vem a ser a maior rede social do mundo.

A reportagem afirma ainda que Mark também teria invadido contas de e-mail de editores do jornal universitário de Harvard, o "Crimson", por intermédio de senhas erradas digitadas no Facebook. A invasão ocorreu porque o jornal teria decidido publicar a história do HarvardConnection.

A maior rede social do mundo tem mais de 400 milhões de usuários no mundo.

Roubos e trapaças?

Inicialmente lançado em Harvard, o Facebook logo angariou grande popularidade --a ponto de não ter que se preocupar com a concorrência de outra rede ali lançada, a já extinta ConnectU, cujos fundadores acusam Zuckerberg de ter roubado suas ideias.

Entretanto, o site define Zuckerberg como "obcecado" pelo ConnectU, a ponto de ter invadido a rede social e feito modificações em perfis de usuários --incluindo o perfil de um dos donos do site. Aparentemente, a falha explorada referia-se a uma verificação de conta com o uso de um e-mail falso.

Zuckerberg teria, então, modificado configurações de privacidade para invisível nas contas de alguns usuários do site --a ideia, aparentemente, era tornar mais difícil o encontro de amigos no ConnectU, reduzindo, desta forma, a sua utilidade.

"Mark parece ter ido um pouco mais longe, com a desativação completa de cerca de 20 contas ConnectU", diz o Sillicon Alley Insider. "Mark parecia estar preocupado com o risco de suas ações, mas deduziu que os desenvolvedores ConnectU não notariam uma sucessão de desativações de conta provenientes do mesmo endereço IP."

Não está claro, entretanto, como Zuckerberg teve acesso a estas contas e, ao que tudo indica, ele manteve acesso aos servidores do ConnectU por um tempo.

Questionado, o Facebook respondeu que "não vai debater com litigantes insatisfeitos e fontes anônimas que tentam reescrever a história inicial do Facebook, de Mark Zuckerberg ou constranger com alegações datadas. O fato inquestionável é que, desde que saiu de Harvard para o Vale do Silício há quase seis anos, Mark levou o crescimento do Facebook para um serviço global que desempenha um papel importante na vida de mais de 400 milhões de pessoas."

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tribunal Constitucional alemão declara ilegal guarda de dados de internautas


O Tribunal Constitucional (TC) alemão declarou ilegal no dia 02 de março, o armazenamento de dados sobre conexões telefônicas e de internet. O tribunal supremo do país considerou incompatível com a lei fundamental obrigar as companhias telefônicas e de comunicações a armazenar durante seis meses todos os contatos telefônicos, e-mails e conexões com a rede mundial efetuados no país. Com essa decisão, o tribunal deu razão a mais de 35 mil denunciantes da lei, quase todos particulares, que haviam apresentado o maior recurso na história do TC alemão contra uma decisão do Legislativo.

A lei de armazenamento de dados havia entrado em vigor em janeiro de 2008 e correspondia a uma diretriz europeia para o combate ao terrorismo de 2005. A lei anulada não garante, segundo a interpretação dos juízes, "a restrição de seu uso" por parte das autoridades. Sua formulação atual também permite uma intromissão na vida cotidiana dos alemães "com dimensões até agora desconhecidas pela legislação". Os juízes também censuram o armazenamento indiscriminado de dados por provocar nos cidadãos "um sentimento ameaçador de ser observado", que prejudica "a percepção de seus direitos fundamentais". As companhias ficam obrigadas a apagar todos os dados armazenados até agora. A legislação de telecomunicações havia incorporado ao ordenamento jurídico alemão uma diretriz europeia aprovada meses depois dos atentados terroristas de Madri e Londres. As companhias ficaram obrigadas a manter os dados de todas as conexões telefônicas de cada usuário durante seis meses, incluindo os números de telefone que participam de cada comunicação, assim como sua duração e seu horário. No caso de chamadas com telefone celular, as empresas mantinham o endereço da antena usada pelo telefone cada vez que alguém ligava, respondia ou enviava uma mensagem de texto. As medidas de controle foram ampliadas no ano passado para as comunicações via internet. Com sua sentença, o tribunal alemão devolve a bola para a União Europeia.

Os juízes consideram que o armazenamento de dados não é totalmente inviável na Alemanha. Não descartam uma nova adaptação da diretriz europeia, mas impõem condições estritas. Para que uma norma dessas características seja compatível com a lei fundamental alemã, o armazenamento de dados deve ficar sujeito a supervisão e o usuário deve ser informado sobre que dados ficam registrados. Além disso, deve-se evitar que as autoridades tenham acesso ao arquivo completo de informação guardada.



Segundo os juízes, a lei atual sofre de falta de transparência e não preserva os cidadãos do abuso de seus dados pessoais.
A ministra da Justiça alemã, a liberal Sabine Leutheusser-Schnarrenberger (FDP), comemorou a sentença afirmando que a terça-feira foi "um dia extraordinário" para os direitos fundamentais e para a proteção de dados. Seu partido estava na oposição quando a lei foi aprovada, e foi contrário a ela desde o início. O ministro do Interior, Thomas de Maizière, da União Democrata Cristã (CDU), de Angela Merkel, se pronunciou a favor de redigir uma nova lei de armazenamento que cumpra os requisitos impostos pelos juízes.

A própria chanceler alertou sobre o "vazio" que os dados apagados a partir de terça-feira deixarão nas investigações criminais. Os analistas políticos já veem uma nova causa de discórdia entre democrata-cristãos e liberais, cuja coalizão sofreu diversas tensões depois de apenas quatro meses de governo.


Além disso, as empresas de telecomunicações falam em reclamar do governo indenizações milionárias pelos gastos que a lei recém-abolida lhes causou. Os empresários de internet e comunicações afirmam que a norma ultrapassada custou 300 milhões de euros ao setor e temem que as condições mais estritas de uma futura lei encareçam ainda mais o armazenamento de dados.
Os grupos de direitos civis que moveram a ação se declararam satisfeitos, mas anunciaram novos esforços para que o combate ao armazenamento de dados se estenda para toda a Europa. Na Inglaterra a lei obriga a armazenar os dados dos usuários durante 24 meses e na Espanha, por 12 meses. (Matéria do El País, traduzida pelo UOL)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Banda Larga mais barata / Novo Portal Brasileiro


Nos EUA, banda larga vai consumir US$ 350 bilhões

03/03/2010 - O plano de banda larga dos Estados Unidos, que a Federal Communications Commission (FCC) vai apresentar ao Congresso no dia 17 de março, prevê que, em 2020, 100 milhões de domicílios daquele país estejam conectados à internet a 100 Mbps, uma velocidade dez vezes superior a da maioria das casas estadunidenses conectadas à internet. Um enorme desafio já que 1/3 da população, segundo levantamento feito pela propria FCC, ainda não tem banda larga ou porque o preço é elevado ou porque desconhece os benefícios do serviço.

Com este plano, os Estados Unidos querem eliminar o gap que têm em banda larga e disputar a liderança com os países que estão na vanguarda.
Alguns pontos do plano nacional de banda larga foram divulgados pela FCC na quinta-feira da semana passada, segundo o noticiário de jornais e sites norte-americanos. Mas as autoridades não revelaram quanto vai custar o plano, nem qual será o investimento governamental e qual será a parte da iniciativa privada. Inicialmente foram previstos investimentos de US$ 78 bilhões para conectar todas as pequenas empresas e domicílios rurais à internet, mas já em setembro, segundo o Wall Street Journal, autoridades da FCC já estimavam em mais de US$ 350 bilhões, em dez anos, o investimento necessário para construir a infraestrutura de moderna banda larga e desenvolver os programas previstos no plano. De acordo com a repórter Marguerite Reardon, do site CNET News, as autoridades da FCC revelaram que o acesso em banda larga vai acelerar a criação de empregos (por meio de cursos de treinamento e requalificação, a serem feitos por meio de parceria público-privada), melhorar a qualidade da atenção à saúde e a educação, reduzir os gastos domésticos com energia (usando o monitoramento remoto) e prover uma rede de segurança pública em todo o país.

Com a rede nacional de banda larga, a expectativa é compartilhar as informações médicas e prover monitoramento e diagnóstico remoto. “Com a remoção de parte da atual regulação, a FCC acredita que uma robusta infraestrutura de banda larga vai permitir economizar US$ 700 milhões na área da saúde durante os próximos 15 a 25 anos”, diz a matéria.
Durante a coletiva de imprensa, ainda de acordo com o noticiário, o chairman da FCC, Julius Genachowski, disse que o plano de banda larga vai recomendar que o governo invista US$ 18 bilhões, nos próximos dez anos, para construir e operar uma rede sem-fio nacional de segurança pública. Entre as perguntas ainda não respondidas, estão as medidas que a FCC vai adotar para estimular os investimentos privados -- o plano prevê universalização da cobertura e aumento das velocidades da rede existente – e a competição.

Segundo a reportagem de Marguerite Reardon, as empresas de telefonia e cabo não querem abrir suas redes nem que o serviço de internet seja regulado, mas a FCC já teria dado sinais de que vai obrigar as operadoras a alugar suas redes por preço de varejo para provedores interessados em atender pequenas empresas. (Do
Tele.Síntese)

Governo federal lança novo portal nesta quarta-feira

O governo federal apresenta nesta quarta-feira a sua nova cara na internet. A reformulação do portal institucional www.brasil.gov.br teve início há um ano, quando a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) assinou um contrato de R$ 11 milhões com a agência TV1, que venceu a licitação para renovação do site.

A estreia do novo portal será anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento, em Brasília.

Segundo a Secom, mais de 500 serviços estarão disponíveis nas páginas eletrônicas, que serão divididas por perfis de usuários. Há áreas de conteúdo para estudantes, trabalhadores, imprensa e empreendedores. Novos perfis, como terceira idade, deverão ir ao ar nos próximos meses.

"O que vamos apresentar não é apenas o redesenho de um site, mas a formulação de uma estratégia de comunicação do país via internet", disse Ottoni Fernandes Junior, secretário-executivo da Secom, durante encontro com jornalistas, em São Paulo.

Para fazer o projeto, diz Fernandes, a Secom buscou inspiração em iniciativas de outros países, como França e Estados Unidos.

O site, que tratá conteúdo traduzido para o espanhol e inglês, terá um espaço exclusivo para pessoas interessadas em investir no país.

Desenvolvido sobre uma plataforma de software livre, um tipo de sistema que tem o seu código aberto e que pode ser manipulado por qualquer usuário, o "Portal Brasil" contou com o apoio de 200 pessoas durante seu desenvolvimento, envolvendo equipes da Secom e da TV1.

O contrato com a agência, que tinha prazo de um ano, acabou de ser renovado, por mais R$ 11 milhões, orçamento que pode ser ampliado ou não executado em sua totalidade, caso não haja necessidade.

Depois de um ano de trabalho, a Secom injetou R$ 7 milhões na iniciativa. A hospedagem do portal está nas mãos do Serpro, empresa de tecnologia do governo federal, por meio de um contrato de R$ 7,2 milhões por ano.

Sem muita divulgação, hoje o portal institucional do governo recebe apenas 800 mil visitas por mês. Para divulgar o endereço virtual, o governo vai lançar a campanha publicitária "O Brasil na sua mão". A propaganda, que em boa parte vai ser executada na internet, tem uma verba de R$ 1,5 milhão. (Do G1/Valor Online)

terça-feira, 2 de março de 2010

Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades - Telecentros.BR


O programa Telecentros.BR pretende ajudar na implantação de novos telecentros e fortalecer unidades já existentes no país.

O Programa é resultado de um esforço do Governo Federal, sob orientação da Presidência da República, de coordenação do apoio aos espaços públicos e comunitários de inclusão digital. O apoio será em conexão, computadores, bolsas de auxílio financeiro a jovens monitores, e formação de monitores bolsistas e não-bolsistas que atuem nos telecentros. O objetivo é oferecer condições ao aperfeiçoamento da qualidade e à continuidade das iniciativas em curso, assim como à instalação de novos espaços.

São responsáveis diretos pela coordenação do projeto os Ministérios das Comunicações, da Ciência e Tecnologia e do Planejamento, sendo este último o responsável pela coordenação executiva.

Foi publicado em 24/02/2010 no Diário Oficial da União o Aviso de Seleção Pública de Parcerias MP/MCT/MC Nº 1/2010 referente ao Programa, edital que contém os procedimentos e regras para apresentação de propostas de adesão. Encontra-se aberto o período de inscrições, com prazo até 26/03/2010 para envio eletrônico da proposta.

A concepção, diretrizes e o texto do edital são resultados de um processo de ampla discussão, incluindo consulta pública, realizada de 29/04 a 10/06/09, em que o conjunto de documentos relativos ao Programa esteve disponível para contribuições; chat (conversação em tempo real na Internet) no dia 14 de maio; e audiência pública no dia 19 de maio, em Brasília, com transmissão por videoconferência a 28 localidades.

No dia 28 de outubro, foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto Nº 6.991, de 27 de outubro de 2009, que institui o Programa, no âmbito da política de inclusão digital do Governo Federal. No dia 4 de janeiro de 2010, foi publicado no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial Nº535/MP/MCT/MC, de 31 de dezembro de 2009, que resolve as regras operacionais, diretrizes e normas para a execução do Programa,no âmbito da política de inclusão digital do Governo Federal.

O procedimento para adesão de entidades proponentes ao Programa e de solicitação dos recursos oferecidos para os telecentros está descrito no aviso de seleção pública de parcerias, disponível para download aqui.

Documentos

segunda-feira, 1 de março de 2010

A educação em movimento


Apesar de ter uma enorme potência educacional, a robótica entra nas salas de aula em baixa velocidade. Áurea Lopes e Graça Coelho

Arede nº55 fevereiro de 2010 - Pela primeira vez na sua vida de docente, Alexandre Simões precisou “mandar os alunos embora para casa”. Empolgados, eles não queriam encerrar a aula, conta o professor, que conduzia um processo de aprendizagem literalmente “movido” pela construção de um robô. Mas não há qualquer novidade nesse episódio. Desde 1968, quando o educador sul-africano Seymour Papert sacou que a robótica poderia ser uma poderosa ferramenta pedagógica e criou a linguagem de programação Logo, temos tido notícias de experiências bem-sucedidas de ensino por meio da automação. O surpreendente é que, passados mais de quarenta anos, e apesar de tamanho potencial educacional, poucas escolas conseguiram, de fato, colocar os robozinhos nas salas de aula.

No Brasil, essa tecnologia não está inserida nos parâmetros curriculares oficiais e aparece de modo bastante tímido no Guia das Tecnologias Educacionais, do Ministério da Educação (MEC). Aos professores – para variar – falta informação e falta formação. Por essas e outras, a robótica educacional ainda predomina nas iniciativas isoladas e deve demorar para se tornar universal, principalmente na esfera da educação pública.

O avanço se dá lentamente, em grande parte como resultado das investidas das empresas do setor, que vendem peças ou motores e prestam serviço de capacitação tanto para as escolas particulares quanto para as públicas que podem pagar pelos kits. Raras exceções despontam aqui e ali, em projetos de baixo custo, que utilizam programação em software livre e materiais de sucata.
Entre os diversos fornecedores estrangeiros que atuam no país, a maior penetração é da Lego, que oferece um kit desenvolvido pela divisão educacional da corporação transnacional, a Lego Education. A companhia implanta o projeto em algumas escolas públicas do país, como ação social. Mas seu foco principal é a comercialização dos kits, disponíveis em versões que vão desde a educação infantil até o ensino médio. Esses kits – em média, na faixa de
R$ 2 mil – são compostos por peças de encaixe em variados formatos, sensores, motores e um software de programação. No pacote, está incluída a capacitação dos professores, que recebem fascículos da coleção Zoom, com conteúdos disciplinares baseados nos Referenciais Curriculares Nacionais (RCNs) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Também estão disponíveis no mercado brasileiro kits importados da empresa alemã Fischertechnik, da estadunidense Innovation First, entre outros.

O Colégio Formosa, na capital paulista, começou este ano com o projeto da Lego. Os pais, pagam uma taxa extra para que os filhos participem das atividades de robótica, aprovaram a novidade por considerar que o benefício vai ser grande, relatou a coordenadora pedagógica Cleide Infante de Paula. Os docentes pensam da mesma forma. Daniela Fiorillo, professora de informática da escola, se viu pela primeira vez diante de um kit de robótica e achou difícil montar o coração que se mexe, reproduzindo os movimentos do batimento cardíaco humano. Mas está confiante: “A motivação e o interesse dos alunos vão compensar o esforço”.

O kit da Lego é usado também no Instituto Internacional de Neurociências, conhecido como Campus do Cérebro, no Rio Grande do Norte. O instituto, que desenvolve pesquisas que unem cérebro e máquina para ajudar pessoas tetraplégicas a voltar a andar, mantém uma escola que atende cerca de 1000 alunos na faixa dos 11 aos 16 anos, em dois turnos. Essas crianças estão regularmente matriculadas em outras escolas e se encontram para participar de projetos interdisciplinares de ciência e tecnologia, artes, física, química e biologia. Nesse ambiente são ministradas as oficinas de robótica, quatro dias por semana. Os professores mostram a presença da robótica no cotidiano dos alunos e os estimulam a construir protótipos que se aproximem das suas realidades. Na escola Alfredo J. Monteverde, que abriga o projeto, os alunos utilizam os kits como recurso para solucionar problemas enunciados coletivamente. A diretora da Escola, Dora Maria de Almeida Prado Montenegro, diz que “outra ferramenta relevante para os registros das turmas é o blog da oficina, onde os alunos periodicamente publicam artigos contando as vivências de sala de aula”.

Selo tupiniquim

As empresas nacionais trabalham nos mesmos moldes, fornecendo kits. Porém, muitas vendem apenas os componentes eletrônicos, não as peças para montar os artefatos móveis – que podem ser construídos com material reaproveitado, como sucata de aparelhos eletrônicos ou de computadores. Um kit genuinamente brasileiro é o X-Bot, criado pelo programa de inovação e novos negócios da incubadora Cientistas Associados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A empresa foi concebida para fabricação e comercialização de robôs móveis para as áreas de pesquisa, educação e entretenimento. Entre os hardwares produzidos pela X-Bot destaca-se o Curumim, utilizado por estudantes de cursos técnicos para o aprendizado de conceitos nas áreas de lógica digital, controle e programação.


No ano passado, uma empresa fundada por um engenheiro e um analista de sistemas que se especializaram em robótica educacional iniciou um projeto pioneiro na rede municipal de Guarapuava (PR). “Não entregamos robôs prontos. Ao contrário, estimulamos a construção de robôs a partir das realidades locais de cada escola, com elementos da vida na cidade e no campo. Uma aluna de uma escola rural montou um monjolo automatizado. Essa é a ideia, ter essa riqueza de desenvolvimento”, diz Rodrigo Barbosa e Silva, um dos sócios da Robótica Educacional.

A empresa trabalha com linguagem Logo, software livre e material de sucata. Nas dez primeiras escolas onde o projeto iniciou, em 2009, foram capacitados 16 professores – além de quatro pedagogos da secretaria de Educação do município. O projeto deve se expandir para todas as 43 escolas da rede até 2012. A Robótica fornece componentes robóticos e faz a capacitação dos professores. Em média, um kit custa R$ 630,00.

Robótica livre

Apesar do atrativo do baixo custo, a robótica livre encontra entraves em ambientes escolares. O principal é a falta de qualificação dos professores para reconstruir e aplicar kits não convencionais em salas de aula. Danilo César, professor da rede pública de ensino de Belo Horizonte (MG), doutorando de educação na Universidade Federal da Bahia, tem em seu currículo uma extensa militância projetos bem-sucedidos nesse sentido. Ele trabalha com formação de professores no uso sucata como tecnologia de mediação para a construção do conhecimento. O princípio é o da construção colaborativa do conhecimento. Já formou mais de 100 professores em diferentes estados do país.


No final de 2009, o professor ministrou um curso a distância para alunos de pedagogia da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), usando a plataforma Moodle. Ele observa que os alunos aprendem com o desafio de dominar os recursos da robótica articulada a diversos conteúdos como matemática, química, física, biologia, entre outros. Hoje, o projeto está implantado no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Itabirito (MG), no Centro Marista de Inclusão Digital, nas universidades Federal do Ceará (UFC), Estadual da Bahia (Uneb) e Federal da Bahia (UFB). “A proposta é formar professores para usar a robótica na sala de aula”, explica César, um dos fundadores do portal Robótica Livre, mantido pela comunidade da robótica livre.

Inclusão digital

No Rio Grande do Norte, existe, desde 2005, uma experiência de sucesso voltada a alunos de diversas faixas etárias e diferentes níveis escolares: o Projeto de Inclusão Digital com Robôs, que utiliza o software RoboEduc, desenvolvido pela equipe do professor Luiz Marcos Gonçalves, do Departamento de Engenharia da Computação e Automação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os alunos projetam robôs criando modelos, bases, atuadores, sensores e ações. Dentro do conceito dos jogos educativos, os estudantes fazem programações em cinco níveis de complexidades diferentes. Entre os objetivos do projeto, está a inclusão digital em escolas públicas da periferia de Natal (RN). Participam do trabalho estudantes de graduação e pós-graduação dos cursos de Engenharia da Computação e de Educação, da UFRN. Pedagogas em formação ministram as oficinas de robótica. Está em andamento uma experiência com crianças de 6 e 7 anos, no Núcleo de Educação da Infância, do Colégio de Aplicação da UFRN. O entusiasmo dos estudantes foi tão grande que os professores integrantes do projeto resolveram tornar a temática da robótica objeto das atividades bimestrais da escola.


www.roboticalivre.org
obr.ic.unicamp.br
Guia de tecnologias educacionais - http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13019:saiba-mais-guia-de-tecnologias-&catid=195:seb-educacao-basica


Olimpíada nacional

Acontece no Brasil, desde 2007, a Olimpíada Brasileira de Robótica, criada por um conjunto de docentes de várias universidades, públicas e privadas. No ano passado, participaram 20 mil estudantes, de todos os estados do país. Nas instituições que trabalham com kits de robótica – de qualquer tipo, que operem em qualquer plataforma tecnológica – são realizadas atividades práticas, de montagem de robôs. Mas escolas que não têm projetos de robótica também podem participar, por meio de provas escritas.


A proposta é identificar alunos talentosos nas modalidades de ciências exatas e despertar, nas escolas, o interesse pelas tecnologias da informação e comunicação. “Já estamos com carência de profissionais qualificados nessas áreas. Precisamos estimular a formação de competências para produzirmos nossa própria tecnologia”, diz Alexandre Simões, professor do curso de Engenharia, Controle e Automação, da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp), um dos organizadores da Olimpíada.

Simões conta que, este ano, a Olimpíada vai ter um foco especial nos professores. A Olimpíada vai promover um debate e reunir materiais de experiências bem-sucedidas. “No Brasil, não temos literatura sobre robótica educacional, nem modelos para trabalhar com os kits”, relata Simões. Também está sendo lançada uma rede social de interessados em robótica educacional, a Robotics 4 All. Com ambiente multimídia, a rede vai fomentar a troca de materiais entre docentes e as construções colaborativas de novos conteúdos.
robotics4all.ning.com